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Conhece Hegel? Um pensador original, provocativo, inquietante. Foi ele quem me introduziu à “Negatividade Consciente” – um antídoto contra a positividade artificial e superficial, tão comum nos manuais de autoajuda.

Longe de ser simplista, a negatividade não se limita à ausência ou oposição ao positivo, mas sim ao reconhecimento do incômodo. Por sua vez, a consciência é um estado em que o indivíduo se torna ciente de si e do mundo a seu redor.

A negatividade consciente surge quando a consciência enfrenta contradições ou conflitos, tanto internos quanto externos. Representa um momento de reconhecimento ativo de algo contraditório ou problemático, seja na própria consciência ou na realidade percebida.

Esta forma de negatividade não exclui a gratidão; pelo contrário, a enriquece. Afinal, ignorar problemas não é otimismo, é procrastinação.

São os “negativos conscientes” que realmente mudam o mundo de maneiras significativas. Enquanto os satisfeitos dormem, os insatisfeitos se movimentam. A consciência do negativo fomenta a coragem de enfrentar desafios, de ter conversas difíceis, de agir socialmente – longe das redes sociais, nas arenas da vida real.

A consciência do que é prejudicial questiona, provoca e transforma. Na prática, é na “Negatividade Consciente” que nasce a “Positividade Transformadora”.

Hegel não nos convida ao ceticismo, mas ao realismo ativo. Não apenas em pensamento, mas em ação. Ser dialético no sentido mais autêntico.

A verdadeira positividade emerge da coragem de encarar a realidade como ela é. A consciência situacional é a pedra angular para decisões e ações. Sem isso, o que resta são apenas continuísmos e desculpas mascaradas.

26/12/2023