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Sempre valorizei a importância da clareza nas mensagens.

Sempre tentei ser expressivo, dizendo o que estava pensando e sentindo. Mais do que responder sobre o que penso, sempre estive pronto para explicar como cheguei a uma determinada conclusão, mencionando minhas influências e fontes, quando necessário.

Sempre achei que uma “mensagem clara” era a base da comunicação. Hoje, sei que “mensagens claras” são importantes, mas não são a fundação da comunicação eficiente. Na prática, “mensagens claras” ajudam, mas, acredite, o mais comum é que as pessoas não nos entendam completamente. O que comunicamos nunca é captado plenamente.

Por quê?

As palavras, símbolos para coisas, não têm os mesmos significados para todas as pessoas. Peguemos um caso simples: “Pai” para mim significa algo seguramente diferente do que para você. Sabe por quê?

Minhas experiências são diferentes das suas. As “lentes” que eu uso para ver o mundo são diferentes das suas. Olhando para um mesmo lugar, você e eu vemos coisas diferentes. Não é porque queremos assim, mas porque é assim!

Linguagem, como Wittgenstein ensinava, é um jogo dinâmico e constante. Mais do que escolher as palavras certas, o segredo está em garantir o contexto certo. Mas, sabendo desde o início que o “contexto perfeito”, aquele em que você e eu concordaríamos, é impossível de formar.

Outro dia, tive uma discussão séria com uma pessoa que trabalha comigo e de quem gosto muito. Ele parecia discordar de mim sobre algo que eu considerava básico. Eu tentava de todas as formas repetir o que já havia dito, de formas novas, mais claras. A ideia era me fazer entender. Claro que isso me irritava um pouco. Do lado dele, ele fazia a mesma coisa. No final, os dois falávamos, mas nenhum dos dois estava de verdade ouvindo. Dias depois, me dei conta de que algo parecia deslocado. Eu falava sobre “projetos” que já haviam sido iniciados; ele falava de “projetos” que haviam sido contratados, mas ainda sem atividade. Essa diferença de entendimento fez a discussão emergir. Alinhando o contexto, a divergência sumiu.

Comunicação é repetição!

É importante reafirmar o que foi dito. A ideia não é apenas lembrar o que já foi comunicado, mas reforçar ou aprimorar o contexto. Indicadores são boas formas de melhorar o contexto. Na minha empresa e com meus clientes, tenho usado cada vez mais deles.

Mas, deixe-me ser claro. Minhas lentes criam o meu mundo. As suas criam o seu. No fundo, somos todos solitários nos mundos que se constroem a partir das nossas histórias. Como era o Pequeno Príncipe, lembra?

Comunicar efetivamente é uma busca para fugir da solidão. De certa forma, é poético entender que o “segredo” é tentar continuamente criar um contexto compartilhado – um alinhamento de significados. Isso é como criar um mundo externo, fora do nosso, onde escolhemos “viver também”.

Comunicar, tornar comum, não é sobre “mensagens claras”, mas sobre “dinâmica para criação de contextos compartilhados”.

23/05/2024
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