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Toda teoria é uma tentativa de entender e explicar o que acontece na prática. O objetivo é alcançar alguma previsibilidade, saber antes o que vai acontecer. Sempre fiquei abismado com a capacidade de pensadores como Einstein de estabelecer teorias e formular modelos que explicam o mundo, muito antes desses modelos e teorias poderem ser validados na prática.

A teoria e a prática estão interligadas. De certa forma, a teoria informa e melhora a prática, enquanto a prática leva ao desenvolvimento de novas teorias ou ao refinamento das existentes. Esta dinâmica tornou-se palpável para mim durante uma visita ao museu da NASA em Canela. Embalado por uma versão orquestrada de Rocket Man, emocionei-me assistindo a um vídeo de uma cápsula espacial aproximando-se da Lua, uma conquista baseada mais em cálculos teóricos do que em sensores. Nossa capacidade de prever o futuro e entender o mundo nos levou a lugares antes inimagináveis.

Modelos são representações simplificadas da realidade. Eles podem ser físicos, matemáticos, computacionais ou conceituais. Modelos focam em aspectos específicos de um fenômeno, ignorando outros para melhor entender ou prever comportamentos. Modelos são ferramentas para expressar e aplicar teorias em contextos práticos. Eles são o reflexo da nossa capacidade de transformar o impossível em improvável, o improvável em provável e, por fim, o provável em fato.

Os modelos, suportados pelas teorias, são, na prática, os fundamentos do progresso da humanidade. Graças aos modelos, sabemos o tempo de uma viagem, se nossas casas resistirão ao tempo, se uma ponte suportará o tráfego. Graças a eles, e a elementos como papel, caneta e coragem, pisamos na Lua. Em uma época onde sensores não existiam, eram nossos cálculos que habilitavam contagens regressivas.

O incrível é que tudo funciona, só que nem sempre. É importante lembrar que modelos são simplificações da realidade e que teorias existem como tentativas de explicar a prática. Elas, a prática e a realidade, são sempre muito mais complexas. De certa forma, são sempre inexplicáveis.

A fotografia nunca mostra exatamente o que vemos. Os modelos também não. Veja o DISC, por exemplo. É um modelo psicológico desenvolvido por William Moulton Marston, que categoriza comportamentos humanos em quatro traços principais: Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade. Trabalhei em uma empresa que cresceu de uma pequena semente para um gigante, e na transição de funções técnicas para a liderança, encontrei no DISC a “conexão com exatas” que tanto apreciava. Mas confesso que exagerei na dose. Por muito tempo, acreditei que a fotografia, ou o modelo, refletia a realidade. O excesso de teoria pode atrofiar a sensibilidade para a prática.

Prática, teorias e modelos. Todos são importantes. Para nós, humanos, um não existe ou perde sentido sem o outro. Mas, que nunca esqueçamos: teoria e prática, na teoria, são idênticas; na prática, são diferentes. Nossa jornada, tanto na teoria quanto na prática, reflete essa constante busca por entender e moldar o mundo ao nosso redor, transformando o inimaginável em realidade.

Se me perguntarem o que eu faço e eu tentar responder de maneira abstrata, porém precisa, direi que sou um “construtor de teorias”. Na prática, é isso que faço. Seja como consultor, ajudando empresas a entender a realidade e explicando-a com modelos próprios ou de outros, seja como desenvolvedor de software, combinando o potencial dos modelos com a capacidade de processamento, armazenamento e conectividade das máquinas. No fim do dia, elaboro ou aplico modelos, suportados por teorias, para produzir resultados maiores, melhores e mais rápidos na prática. Isso é a essência do que eu faço e, se você for um “trabalhador do conhecimento”, então, esta também é a essência do que você faz.

02/01/2024