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A Filosofia fala Alemão, dizem. Concordo, reconhecendo a importância e quantidade de textos filosóficos significativos escritos nesse idioma.

Meu conhecimento de alemão é limitado, mas estou determinado a mudar isso. Até o final de 2024, vou entender além do óbvio e vou depender menos dos recursos de tradução.

Um desses textos em alemão que quero entender melhor é Ich und Du (“Eu e Tu”). Conhece?

Escrito em 1923 por Martin Buber, Ich und Du teve influência imensa no século XX. Suas ideias ressoam até hoje, especialmente nessa era digital.

Em “Eu e Tu”, Buber apresenta a “Filosofia do Diálogo”, que encontro cada vez mais relevante. Ele descreve dois tipos de relações: “Eu-Tu”, uma conexão profunda e verdadeira, e “Eu-Isso”, mais superficial e objetiva. Essa diferenciação é um desafio constante, especialmente no ambiente profissional. Como posso manter relações autênticas e equilibradas?

Durante o Holocausto, Buber, como judeu, enfrentou severas perseguições. Fugindo para Jerusalém em 1938, ele aplicou seus ensinamentos sobre diálogo e empatia, defendendo uma visão inclusiva do Sionismo Político e promovendo a coexistência pacífica entre judeus e árabes. Wal as You Talk, certo?

Buber ressignificou adversidades em oportunidades para práticas empáticas e inclusivas.

Ich und Du ensina que as relações são dinâmicas e mutáveis. Amizades sinceras (Eu-Tu) podem se tornar impessoais (Eu-Isso), e o contrário também é possível. Essas mudanças frequentemente ocorrem rapidamente, desafiando nossa percepção.

Compreender a natureza mutável das relações, conforme Buber destaca, influencia significativamente nossas escolhas. Eu-Tu, Eu-Isso e Eu-Tu outra vez!

Ele também explora a ideia de Deus como “Tu Eterno”, propondo uma relação sempre profunda e aberta. Isso me faz ponderar sobre minhas próprias crenças e como elas se alinham com essa visão.

Encarar Ich und Du e o desafio de aprender alemão são etapas que me motivam a refletir sobre como me relaciono com as pessoas e, também, com as coisas, e a importância do entendimento mútuo. Quero relações menos “coisificadas”, mas não quero ser ingênuo também.

Buber me faz questionar: como posso incorporar a “Filosofia do Diálogo” em minha vida para desenvolver relações mais autênticas? E como o aprendizado do alemão pode ser um passo importante nessa jornada? Por incrível que pareça, tenho a sensação nítida de que essas ideias aparentemente distantes são, na verdade, bem próximas.

A influência do pensamento de Buber no Humanismo de Carl Rogers é um lembrete fascinante de como ideias abstratas e práticas tangíveis se entrelaçam, afetando as vidas das pessoas. Aliás, o que aprendi sobre Rogers abre espaço para outra reflexão – mas, outro dia. Weniger aber Besser.

Em 2024, vou praticar mais “Eu-Tu”, “Eu-Isso”. Vou também buscar mais intimidade com o “Tu Eterno”. Definitivamente, vou precisar melhorar meu alemão. Chegou a hora!

Victor Hugo estava certo ao dizer que nada é mais poderoso do que uma ideia cuja hora chegou.

01/01/2024