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Às vezes, me pego pensando que deveríamos aprender a ver as coisas ao nosso redor como se fossem seres vivos, atribuindo-lhes características humanas, numa tentativa de entendê-las melhor. É um exercício de empatia, talvez, ou de imaginação.

Eu penso no “local” – cada lugar, cada espaço em que me encontro – como se fosse uma pessoa. O “local” fala comigo de maneiras que às vezes desafiam a lógica. Em momentos de introspecção, imagino como seria se ele fosse diferente. Eu sorrio para ele, esperando um sorriso em troca, mas nem sempre isso acontece.

Ignorar o “local” é quase impossível. Sua presença é tão marcante, podendo ser tanto envenenadora quanto inspiradora. Tento, em vão, desviar meu olhar, mas sua influência é forte demais para ser ignorada.

Então há “Os outros”. Observo “Os outros” com curiosidade, sabendo que ele também me observa. “Os outros” parece ter uma relação íntima com o “local”, e percebo que eles também têm intimidades estranhas, gráficas e até pornográficas, com o “humor”.

O “local” sempre encontra um caminho para se infiltrar nas minhas histórias e pensamentos. Tento expressar algo, e lá está ele, trazendo consigo “contexto” e “significado”. Interessante observar que “Os outros” sempre parece mais sintonizado com o “local” do que eu. E, sem perceber, acabo vendo “Os outros” através dos olhos do “local”.

O “local” tem suas peculiaridades, como uma criança que guarda seus brinquedos favoritos. Às vezes, sinto que ele compartilha seus tesouros mais valiosos com “Os outros”, e não comigo. E, curiosamente, “Os outros” reclama da mesma coisa.

Refletindo sobre o “local”, percebo que ele sempre tem um nome, uma identidade, embora pareça mudar de forma e de cor. Às vezes, me pergunto se o “local” é sempre o mesmo ser, apenas usando máscaras diferentes, ou seres diferentes, todos de uma mesma espécie (Sei lá!?). E “Os outros”, será que é sempre a mesma pessoa, ou apenas reflexos de uma única essência? Parece que diversos mesmo, são apenas “Significado” e “Contexto” – esses, aliás, parecem mais íntimos meus do que do “local” e “Os outros” – mas, caramba, como eles são chatos. Pensando bem, “Significado” e “Contexto” são filhos meus, resultados de uma relação aberta que mantenho com “Local” e com “Os outros”.

No final das contas, o “local” influencia profundamente o que mais valorizo – meu propósito, meus objetivos. Ele envolve “Os outros” em minhas reflexões, tornando-se um personagem inseparável da minha jornada. Parando para pensar “Propósito”, de uns tempos para cá, também parece estar querendo mostrar vontade própria.

Reconhecer o “local” em sua complexidade é um desafio constante. Mudar a minha percepção dele, ou até mesmo mudar o “local” em si, parece ser crucial para a minha própria transformação.

O “local”, embora possa não existir concretamente fora de mim, é incrivelmente real dentro da minha mente e do meu coração. Se não é físico, certamente é espiritual. E isso sempre me faz questionar: seria o local apenas mais uma das minhas desculpas para as minhas culpas?

06/12/2023